Atualmente, disfunção temporomandibular (DTM) é reconhecido pela American Association of Dental Research como um grupo de condições musculoesqueléticas e neuromusculares que envolvem as articulações temporomandibulares (ATM), sendo elas formadas por um complexo de estruturas que liga a mandíbula ao osso temporal do crânio, como músculos mastigatórios e tecidos associados. A ATM é considerada a articulação uma articulação sinovial e bicondiliana, sendo a mais complexa do corpo humano realiza, rotação, translação e envolve estruturas musculares, cervicais e adaptações oclusais.
O termo DTM não pode ser considerado como diagnostico, mais sim um termo que engloba varias entidades patológicas, como dores nos músculos mastigatórios, dor de cabeça, desvio em movimentos mandibulares, dor ou zumbido no ouvido, sons articulares ao abrir e fechar a boca. Sua etiologia é considerada multifatorial, pois pode estar ligada a vários fatores como, má oclusão, fatores psicossomáticos (estresse, ansiedade e depressão), disfunção dento esquelética e fatores hormonais, sendo predominante na faixa etária dos 20 a 30 anos, principalmente em mulheres. Por tanto a DTM é considerada algo multifatorial e muitas veses necessitam de um tratamento multiprofissional.
Qual a relação do Bruxismo com a disfunção temporomandibular?
O Bruxismo é um ato involuntário ou inconsciente de apertar ou ranger os dentes de forma inconsciente, podendo ocorrer durante o sono ou em estado de vigília (diurno), desencadeados por um desarranjo emocional ou mental que acaba por afetar o sistema neuromuscular, o qual é responsável pela função mastigatória. Pelo fato de ter um alto índice de modelação às mudanças de condições, quando o sistema neuromuscular e a musculatura estão sobrecarregados a disfunção acontece, levando o paciente a relatar limitação na motilidade da boca, quadros de dores na face entre outros. Com tudo, vale ressaltar que nem todo o bruxismo leva a um quadro de DTM e nem toda DTM vem somente do ato do bruxismo.
somente do ato do bruxismo.
Quando o tratamento cirúrgico é indicado para DTM?
Sempre costumo dizer para os pacientes para exemplificar, que existem “mais de uma forma de DTM”, podendo ser elas, muscular, articular ou de forma mista (quando acompanham as duas formas juntos). A forma muscular esta ligada há uma hiperatividade muscular, que em sua totalidade em grande maioria dos casos estão ligadas junto ao desarranjo neuromuscular, desencadeados por fatores emocionais ou comportamentais, que são tratados de forma clinica e muitas vezes necessitam de um tratamento multiprofissional, vista disso o tratamento cirúrgico não é primeira escolha de tratamento. Toda via, casos de anquiloses ou neoplasias deve ser tratada cirurgicamente como primeira eleição. A cirurgia por sua vez, vai ser mais indicada em casos articulares mais severos, no qual abordagem mais conservadora não apresentaram resultados satisfatórios. Uma técnica bastante empregada e a artrocentese, que consiste em um procedimento minimamente invasivo, podendo ser feito por meio de anestesia local, no qual consiste na lavagem do compartimento superior articular, podendo ser associada também e visco suplementação articular com acido hialurônico ou outras tecincas como a utilização de plasma. A técnica se destaca por ser minimamente invasiva, pelo bom resultado clinico e baixa morbidade. A artroscopia da ATM, mesmo sendo uma técnica minimamente invasiva já necessita obrigatoriamente ser feita sob anestesia geral, pois envolvem cânulas, trocáteres, artroscópio com câmera, Sendo indicadas em casos de deslocamento de disco, osteoartrite, hipermobilidade, hipomobilidade e sinovites, sendo contraindicada em casos de obesidade, anquilose, tumores ou infecções que impeçam acesso adequado. A cirurgias abertas são indicadas em casos complexos e refratários da ATM. Vale ressaltar que o tratamento clinica em sua grande maioria se faz indicado no pré-operatório, garantindo assim um maior êxito, sendo contra indicado somente em casos específicos como os citados anteriormente, bem como o número de intervenções varia de acordo com a necessidade de cada paciente.
De que forma é realizado o tratamento clinico para DTM ?
Uma técnica bastante empregada no tratamento clinica é a estabilização da oclusão e articular por meio de placa estabilizadora de Michigan. A placa além de estabilizar a oclusão e consequentemente a articulação, ajuda no tratamento de hiperatividade muscular e quebra de memoria muscular, por isso o uso diurno dela se faz necessário, pois a noite estamos no inconsciente e não tiramos a memoria muscular de ficar travando, além de ajudar a proteger os dentes de desgaste dental. Vale ressaltar que essa placa é um tratamento e o paciente deve estar sempre indo as consultas de preservação e acompanhamento, afim de que não aja nenhum desajuste da placa para não atrapalhar o tratamento.
Uma associação que traz um bom resultado é lazer terapia, com lazer infravermelho em ponto articular de pontos musculares, atuando como anti-inflamatório articular e liberação de contratura muscular excisa. Em grande maioria dos pacientes já mostra resultado nas primeiras aplicações.
Costumo dizer aos pacientes, que o tratamento clinico começa no consultório e por ser multifatorial, muitas vezes vamos ter que dispor de outros profissionais, como fisioterapeuta, psicólogo, fono, para ter um bom resultado. Além da adesão do paciente ser a parte principal do tratamento. De nada adianta o paciente somente ir as consultas e não usar corretamente a placa, fazer os exercícios proposto, que o resulta não vira.